Em 2005 se comemoraram 30 anos da construção do primeiro forno Noborigama em Cunha. O forno Noborigama, forno ascendente em japonês, foi o mais eficiente para alta temperatura na era pré-industrial. Uma sucessão de câmaras interligadas em patamares, garante um controle localizado da temperatura e uma economia de combustível, pelo aproveitamento do calor usado na câmara anterior. Permite a queima simultânea de grande quantidade de peças com variações que a naturalidade do fogo de lenha imprime.
Em 1975 um grupo de artistas se instalou no ex-matadouro da cidade, lançando a primeira pedra do que é hoje o mundo da cerâmica no município. Desde então muita coisa aconteceu. Os ceramistas, seus ateliers e trabalho são hoje elemento fundamental do património cultural local. Cunha ocupa um lugar único no panorama e na história da cerâmica contemporânea brasileira. Polo singular de cerâmica de autor, serve de referência como projeto pioneiro bem sucedido e que continua evoluindo.
30 anos depois da construção do forno do matadouro temos na cidade 5 fornos Noborigama, cobrindo 2 gerações de ceramistas. Soma-se a isso a multiplicação de ateliers de cerâmica usando outros tipos de fornos, em anos mais recentes.
Em 75 se começou com um espírito de pesquisa, num contexto de intercâmbio cultural pluricontinental. Graças à liberdade de criação e experimentação os ceramistas de Cunha se desenvolveram de forma independente. A diversidade de resultados e abordagens é um dos atrativos do trabalho aqui desenvolvido. Cunha tem também funcionado como escola de cerâmica pela relação aberta existente entre ceramista e aprendiz ou estagiário e também pelas inúmeras pessoas que de passagem aqui colheram subsídios para o que viria a ser a sua vida como ceramistas. Poderemos esforçar-nos para que Cunha para além da pedagogia espontânea ou eventual venha a tornar-se um centro de estudos de cerâmica de forma mais efetiva em parceria com universidades e outras instituições dedicadas à produção de cultura.